
Às vezes correr da tristeza afugenta a felicidade. Saiba que a receita para tal é antiga, nossos avós já sabiam dela: basta respeitar a tempestade que o arco íris virá.
A sociedade moderna vive uma busca frenética para encontrar a felicidade, essa fórmula existe: ‘’Dez lições para ser feliz’’; ‘’Dez passos para alcançar a alegria’’; ‘’Dez segredos para o bem estar’’. São incontáveis os guias, de variados títulos; pílulas, de variadas cores, que no seu objetivo final tentam, de modo genérico, resultar na felicidade plena.
Vejo nisso, não a busca para essa auto-realização, mas a fuga incontrolável de vivenciar situações desconfortáveis. O ócio transforma-se em inimigo, pois nele a melancolia, a tristeza tornam-se mais latentes e, por sua vez, esses sentimentos soam como palavrões diante da ditadura do riso constante.
Quem não enxerga que rir continuamente é desesperador não pode compreender que o contentamento verdadeiro não está num happy hour, ou no efeito de uma bebida, para empurrar goela abaixo a dor, mas talvez esteja no gesto de até mesmo beber, porém para dilatá-la e, olhando para dentro de si parar de achar que a grama do vizinho é sempre mais bonita. É necessário cuidar dos relevos da nossa grama. Quem omite os relevos da vida não terá estrutura para suportá-los, quando eles forem inevitáveis.
Há também nesse frenesi um descontentamento frente à rotina. Precisamos sempre de novidades, existem sempre pessoas mais interessantes, mais bonitas, quando estamos num relacionamento que de certa forma perdeu seu brilho. Trocamos de pessoas como quem troca um objeto. Depois de tudo isso o que restará é um grande sentimento de frustração: o novo vai se tornar velho e rotineiro novamente, quando não, serão relacionamentos frágeis. É como diz o ditado: ‘’Pedra que muito se muda não cria limo jamais’’!
Em vez disso, por que não concertar os objetos quebrados? Aceitar que não há felicidade plena e sim o equilíbrio de todas as energias que existem dentro da gente? Nossos avós fizeram assim, nossos pais fizeram assim, e deu certo, mas o tempo para eles não era um inimigo e sim sinônimo de sabedoria!
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