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domingo, 24 de junho de 2012

FIKADIKA- Filme- O Palhaço


Para quem gosta de um filme brasileiríssimo e por isso original, uma boa pedida é o filme O Palhaço (2011), uma comédia dramática, dirigida por Selton Mello, que também vive Benjamim, um comediante que mostra o que há por detrás da maquiagem do palhaço, que não necessariamente é o riso constante. Frente à alegria que tentam trazer à sua platéia o cotidiano da trupe circense é uma realidade um pouco dura.
O Circo Esperança é a companhia que ele e seu pai Valdemar, interpretado por Paulo José, administram. Viajando pelo Brasil afora montam o circo em pequenas cidades do interior, o público se encanta com as apresentações, dispondo de poucas opções de lazer a presença do grupo se torna uma das atrações que mais causam entusiasmo aos moradores.
Como uma simbiose, os vilarejos parecem precisar da presença do circo tanto quanto o circo necessita deles para sobreviver, mas Benjamim é o único sentir-se deslocado, como o patinho feio, sente que não faz parte daquela família e precisa alçar voos que o leve de encontro a um espelho que reflita seu verdadeiro eu. Seu primeiro voo acaba esbarrando-se em uma hélice de efeito hipnótico, pois toda vez que vê um ventilador entra em transe, uma ação quase esquizofrênica que o transporta para longe dali e dos problemas financeiros da companhia.
Seu pai e também cúmplice, tentado tirá-lo dessa anemia de cores diz: “Cada um faz o que sabe: o gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou palhaço”. Mas Benjamim, já empalecido diante da contradição de viver para fazer os outros rirem, não estando feliz, tenta romper com o que mais teme: a sina.
Não há como não rir, não há como não se emocionar. As apresentações singelas da quase falida companhia seguem uma trama pitoresca e uma fotografia que enche os olhos com doçura e leveza, mas ao mesmo tempo o desenrolar do filme nos emite uma sensação de incapacidade, de não poder mudar uma situação e ter que chamá-la de sina.
Aos que ainda não assistiram FIKADIKA!

Dirigido por Selton Mello
Lançamento: 2011
Com: Paulo José, Tonico Pereira, Selton Mello
Gênero: Drama, Comédia.
Nacionalidade brasileira


quarta-feira, 6 de junho de 2012

PARA REFLETIR O Homem e o tempo



Sentado numa pedra um monge avistava do alto todo o vilarejo. O céu azul e brando, o vento quente davam a sensação de que seria mais um dia longo, mas ali não havia forma de marcar o tempo, o dia passava manso e sem pressa para o velho monge. Lá embaixo ele observava os passantes carregando as carroças cheias de fenos para levar aos animais. Mulheres e homens vendendo hortaliças, colhidas logo na primeira hora do dia. Não havia ambição para os homens do vilarejo, não havia desassossego paras as mulheres. Um dia, um homem cansado de sua vida corrida, decidiu que viajaria para o lugar mais calmo que lhe indicassem. Assim o fez.
Já no quarto de hotel, ainda na madrugada, fez uma rápida organização do que faria na manhã seguinte. Acordou cedo, disposto a conhecer os arredores do vilarejo, levou na bagagem seu celular, alguns documentos e tudo que fosse para as necessidades básicas. A rotina dos moradores lhe pareceu pouco interessante e previsível de mais. Começou a pensar um monte de coisas que faria naquele dia para que essa sensação mórbida não se impregnasse nele e reviu a organização que fizera na madrugada.
Sua peregrinação se resumia em observar como os habitantes levavam a vida, que cedo terminavam suas tarefas sem nada mais querer. Pensava: "não sabem usar a liberdade". Ele, no lugar deles, se dispusesse do tempo que tinham de sobra, faria muita coisa.
Depois de uma comida simples e saborosa sentiu curiosidade em saber o que havia naquela colina, era seu principal objetivo do dia. Perguntou ao senhor do restaurante o que seria necessário para subir sem maiores problemas. Leve o menos de bagagem possível, respondeu o senhor firmemente.
Não entendia o porquê sentia tanto peso na coluna, havia levado só uma bolsa. Tirou a água da bolsa e deixou-a ao lado de uma árvore, o que daria para avistar de longe. Sempre olhava para trás para ter nos olhos sua bolsa, mas em nada adiantou, suas costas continuava a doer.
Ao chegar ao cume da colina o velho monge estava lá, cumprimentou-o com um semblante sereno e iniciaram uma longa conversa. O homem, com a face grave, disse não entender o modo de viver daquele povo, religiosamente fazem todos os dias as mesmas coisas, com a liberdade de uma criança podem fazer qualquer coisa depois, pois sobram-lhes tempo, mas sem ambição, vivem a vida jogando conversa fora.
O que é o tempo para você? É uma forma de marcar o que é importante e realizá-la, disse o homem com um olhar inconformado.
O sábio respondeu. O tempo livre é a prioridade do homem e sua ambição é jogar conversa fora, nela está sua realização, sem mais pretensão. A pretensão do homem moderno é atender com urgência às coisas que eles criaram e, sem a inteligência de uma criança, usam sua liberdade tornando-se escravo delas. Correm o mais depressa possível e ganham tempo para depois perdê-lo fazendo mais coisas.  Quando enfim, cansam-se, resolvem subir a colina do verdadeiro objetivo, mas é impossível, olhando sempre para trás não conseguem deixar suas bagagens de preocupações, esquecem que são senhor das coisas, tendo-as com o que há de mais importante tem dificuldade em saber o que realmente é essencial.
O tempo se torna amigo do homem quando o homem não foge do tempo que tem, perdendo tempo com coisas, mas sim deixando o tempo passar sem coisa alguma para passar o tempo. O que realmente é importante? 
O homem respondeu num silêncio e profundo olhava para baixo, como se agora entendesse aquele povo e a si mesmo, pois avistava tudo de longe. Quando sentiu que havia que descer, notara que havia deixado o relógio na bagagem e não havia nenhuma outra forma de marcar o tempo a não ser a sua própria consciência. Naquele instante a coisa mais importante era que não havia coisa mais importante. Ele se dedicou ao tempo sem ver o tempo passar se impregnando daquela sensação de mansidão.

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SIMPLES O prazer de concluir simples tarefas trás benefícios enormes.




Sabe quando acordamos cheios de energia, certos de que realizaremos todas as tarefas pendentes e ainda sim vai sobrar tempo para se dedicar a leitura do livro? No fim do dia não conseguimos concluir nada, parece que o dia não rende. O que resta é um grande sentimento de culpa e vamos dormir com a conta no vermelho. Não deixe mais isso acontecer, o tempo é precioso.

 A vida moderna nos leva a um constante frenesi. Pudera, nunca se cobrou tanto de nós como hoje e antes nunca foi tão possível. A tecnologia extinguiu tarefas manuais permitindo otimizar nossas atividades. Então significa que temos mais tempo livre? Errado! Ganhamos mais tempo sim, porém para trabalhar ainda mais.
Tendo a internet como um aplicativo indispensável no mundo corporativo é possível levar tarefas para o lar. Mais fácil não é? Outro engano. Num ambiente confortável produzimos em maior quantidade, trabalhamos sem que sintamos o tempo passar, afinal estamos em casa. Quando o chefe liga no dia de folga, só pode ser porque não há outra pessoa gabaritada que possa nos substituir. De fato, a fim de diminuir custo as empresas contratam o menor número de funcionários e alguém precisa fazer o trabalho por dois. Sem se dar conta isso vira uma rotina e o pior, fazemos hora extra sem ganhar nada por isso.
O nosso relógio biológico não falha, acordamos religiosamente no horário de trabalhar, mas ao nos darmos conta que é nossa folga vem uma sensação prazerosa de poder dormir até mais tarde. Logo nossa mente é tomada por várias ideias, afinal, há um mundo de possibilidades: ler o livro que te aguarda na prateleira já algum tempo – é lógico que antes as gavetas precisam ser arrumadas. Visitar um velho amigo, que, aliás, já havia prometido a ele ao encontrá-lo na rua – mas só depois de checar a caixa de e-mails. Arriscar na cozinha a receita que copiou de uma amiga– mas com essa sujeira no fogão é quase impossível.
Nossas investidas acabam sempre sendo frustradas, mas é só surgir outra oportunidade que começamos planejar novamente: dessa vez nada nos impedirá – ledo engano. Fatidicamente nada sai como planejamos. A culpa vem quando pensamos na satisfação que teríamos se tivéssemos lido o livro.  Mas porque não conseguimos isso poxa?
Porque fazemos das nossas tarefas um evento.
Uma vez passei o dia todo organizando os arquivos do meu note book. Precisava dar uma fim naquela bagunça e uma solução para a lentidão do sistema, mas só depois cheguei à conclusão que deveria organizá-los sempre que fossem descarregados.  Gravar e organizar vários arquivos comprometeu todo meu dia e ainda me rendeu um mau humor danado por isso.
As tarefas devem ser simplificadas para não se tornarem um grande evento. Quanto mais procrastinamos, as tarefas aumentam e a disposição diminui. Quando finalmente decidimos executá-las, claro que demandarão muito mais tempo.
Se isso acontecer não se desespere, faça por etapa para o tempo não ser sacrificado apenas numa atividade. É importante estabelecer um tempo para realizar cada tarefa entre horas, dias e semanas. Mas não confie na sua memória, marque em pequenos lembretes todas as tarefas a serem realizadas, em lugar bem visível, começando do mais importante ao menos urgente. Assim você seleciona por caráter de urgência dividindo o tempo entre uma atividade e outra. Tendo a real consciência de todas as atividades poderá escolher qual fazer primeiro e qual, sendo menos urgente, poderá deixar para depois.
Quanto ao trabalho é preciso questionar o quanto ele é importante na sua vida e o quanto a empresa leva sua vida e bem estar em consideração. Emprego é algo que podemos escolher, entretanto o tempo não volta mais. Organizamos nosso tempo quando priorizamos o que é importante para nós, mas também perdemos muito tempo com coisas que não acrescentarão em nada. Fazer um bom exame de consciência, nos perguntando o que realmente é essencial, irá ajudar a melhor utilizar seu tempo livre. A disciplina é o caminho que nos levará ao prazer de concluir tarefas simples e planejar sonhos maiores, ao mesmo tempo ter o privilégio de adiar tarefas, sem culpa.

Leia também o texto em Para Refletir- O Homem e o tempo