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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quem fez História - MAZZAROPI- 100 ANOS de Saudades...


Se Mazzaropi estivesse vivo, hoje completaria 100 anos. Mazza vai, mas não completamente, deixa como legado 32 filmes, desses filmes, 25 foram produzidos pela sua companhia cinematográfica, Produções Amácio Mazzaropi (P.A.M – Filmes), fundada em 1958, quando já estava cansado de ser “artista dos outros”, como ele dizia.
Sua estréia no cinema foi no ano de 1952, ao aceitar a proposta do diretor Abílio Pereira de Almeida, que procurava um ator para ser estrela do seu longa, Sai da Frente (1952).
Foi um sucesso em bilheteria que motivou a produção de mais 2 filmes, Nadando em Dinheiro (1952) e Candinho (1953), e a verdade é  que o custo total nem alcançava o dobro do valor das outras produções da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Quando o opulento grupo da Vera Cruz percebeu que filmes para o público interno e com baixo custo de produção seria o caminho para garantir permanência no mercado, já era tarde, a obstinação em alcançar o público internacional exigia investimentos onerosos e a companhia já não havia mais como captar recursos, nem honrar seus credores. Em vista disso, em 1953, o Banco Estadual de São Paulo interrompe o financiamento e a Vera Cruz quebra.
Essa experiência serviu de exemplo para que Mazzaropi compreendesse que o caminho era agradar o público interno, pois lhe pareceu assombroso que, mesmo uma companhia, que dispunha de um capital considerável, chegou as últimas consequências. Não restou dúvidas, aproveitou seu sucesso e fama e foi além. Com uma carreira consolidada no teatro, rádio e televisão, já era conhecido em todo Brasil. Após encerrar sua carreira na Vera Cruz, trabalhou em mais três companhias de cinema, conciliando a carreira no rádio e teatro, até constituir capital suficiente para iniciar o que seria sua obstinação até o fim: o cinema nacional.
Os personagens de Mazzaropi eram quase sempre ingênuos, isso fazia supor que ele também o era, mas ao contrário deles, o astuto empreendedor e visionário sabia administrar seus negócios. Essa qualidade garantiu a PAM- Filmes uma permanência de vinte anos no mercado, sem nunca depender de qualquer financiamento do governo. Foi com o caipira que Mazzaropi permaneceu no cinema por tanto tempo, apesar da elite paulistana vociferar com críticas duras seus personagens, até porque, nesse gesto havia escondido um sentimento de inferioridade e mais do que isso, não aceitavam o estado de subdesenvolvimento do país, por isso tinha aversão aos filmes de Mazzaropi, que mostravam a realidade que eles tanto queriam negar, almejando a todo custo um cinema compatível ao europeu e americano, onde talvez pudessem sanar seu desejo de se parecerem com as nações que eles julgavam em tudo superior. Sua ambição foi a causa da derrocada da Companhia.
Contrariando aos críticos, Mazza consolidou o tipo caipira ao resgatar o personagem Jeca das obras de Monteiro Lobato. Paulo Emílio Salles Gomes estava certo ao afirmar que Mazza atinge o fundo arcaico de cada um de nós e mostrou o caminho para descobrir o que está escancarado, que o caipira é sinônimo de brasilidade e que no fundo há um Jeca em cada um de nós brasileiros. .
Sua obra é a memória do artista, cineasta e empresário, que deve ser preservada para servir de referência. Seus filmes ficam, mas fica também uma saudade.


O compositor Elpídio Santos era seu preferido e compunha músicas especialmente para seus filmes. Essa é a sua canção preferida, do clássico Casinha pequenina (1963). Também é minha canção predileta.