
Se Mazzaropi estivesse
vivo, hoje completaria 100 anos. Mazza vai, mas não completamente, deixa como
legado 32 filmes, desses filmes, 25 foram produzidos pela sua companhia
cinematográfica, Produções Amácio Mazzaropi (P.A.M – Filmes), fundada em 1958,
quando já estava cansado de ser “artista dos outros”, como ele dizia.
Sua
estréia no cinema foi no ano de 1952, ao aceitar a proposta do diretor Abílio
Pereira de Almeida, que procurava um ator para ser estrela do seu longa, Sai da Frente (1952).
Foi
um sucesso em bilheteria que motivou a produção de mais 2 filmes, Nadando em Dinheiro (1952) e Candinho (1953), e a verdade é que o custo total nem alcançava o dobro do valor das outras produções da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Quando o opulento
grupo da Vera Cruz percebeu que filmes para o público
interno e com baixo custo de produção seria o caminho para garantir permanência
no mercado, já era tarde, a obstinação em alcançar o público internacional
exigia investimentos onerosos e a companhia já não havia mais como captar recursos, nem honrar seus credores. Em vista disso, em 1953, o Banco Estadual de
São Paulo interrompe o financiamento e a Vera Cruz quebra.
Essa
experiência serviu de exemplo para que Mazzaropi compreendesse que o caminho
era agradar o público interno, pois lhe pareceu assombroso que, mesmo uma
companhia, que dispunha de um capital considerável, chegou as últimas consequências. Não restou dúvidas, aproveitou seu sucesso e fama e foi além. Com uma carreira consolidada no teatro,
rádio e televisão, já era conhecido em todo Brasil. Após encerrar sua carreira
na Vera Cruz, trabalhou em mais três companhias de cinema, conciliando a carreira no rádio e teatro, até constituir capital suficiente para iniciar o que
seria sua obstinação até o fim: o cinema nacional.
Os
personagens de Mazzaropi eram quase sempre ingênuos, isso fazia supor que ele
também o era, mas ao contrário deles, o astuto empreendedor e visionário sabia
administrar seus negócios. Essa qualidade garantiu a PAM- Filmes uma
permanência de vinte anos no mercado, sem nunca depender de qualquer financiamento
do governo. Foi com o caipira que Mazzaropi permaneceu
no cinema por tanto tempo, apesar da elite paulistana vociferar com críticas
duras seus personagens, até porque, nesse gesto havia escondido um sentimento
de inferioridade e mais do que isso, não aceitavam o estado de subdesenvolvimento
do país, por isso tinha aversão aos filmes de Mazzaropi, que mostravam a
realidade que eles tanto queriam negar, almejando a todo custo um cinema
compatível ao europeu e americano, onde talvez pudessem sanar seu desejo de se
parecerem com as nações que eles julgavam em tudo superior. Sua ambição foi a causa da derrocada da Companhia.
Contrariando aos
críticos, Mazza consolidou o tipo caipira ao resgatar o personagem Jeca das
obras de Monteiro Lobato. Paulo Emílio Salles Gomes estava certo ao afirmar que Mazza atinge o fundo arcaico de cada um de nós e mostrou o caminho para descobrir o que está escancarado, que o caipira é sinônimo de brasilidade e
que no fundo há um Jeca em cada um de nós brasileiros. .
Sua obra é a memória do
artista, cineasta e empresário, que deve ser preservada para servir de
referência. Seus filmes ficam, mas fica também uma saudade.
O
compositor Elpídio Santos era seu preferido e compunha músicas especialmente
para seus filmes. Essa é a sua canção preferida, do clássico Casinha
pequenina (1963).
Também é minha canção predileta.