Não desista de aprender algo que você sempre soube
que ia te fazer mais feliz porque pensou que não leva jeito. É hora de saber que, embora demore, a recompensa virá.
Quem já não iniciou uma atividade porque ao se
imaginar nela tinha certeza de que estava indo ao encontro de si mesmo, mas
logo no primeiro dia pensou em desistir? Aprender sempre nos tira da posição de
conforto, pois se trata do desconhecido, o que faz com que demandemos muito
esforço para assimilar.
Na tentativa de decifrar o novo nos deparamos com
nossas próprias limitações, isso é mais difícil de digerir do que lidar com o
que é aparentemente estranho. A sensação de frustração geralmente faz com que
voltemos para nossa zona de conforto, ou em outras palavras, nos faça desistir,
mas antes disso precisamos nos dar ótimas desculpas, pois o sentimento de
desistência pode ter consequências ainda piores. Nos convencemos de que não
servimos para aquilo e procuramos nos conformar com atividades que tenham menos
obstáculos e exijam menos de nós.
Um truque que uso para não acontecer isso é
observar o processo de aprendizagem, de um modo bem simples. A princípio o
cérebro enxerga o novo como um corpo estranho, então ele nega e rejeita esse
corpo. Na realidade isso é um mecanismo de defesa, claro, nós estamos longe da
zona de conforto, ou nossa área de segurança está sendo ameaçada, então o
cérebro indica que precisamos sair dali, pois podemos sofrer alguma lesão.
Depois de certo tempo você entende que o novo, embora
ainda te cause medo, não pode te causar um mal irreversível, decide-se por
continuar enfrentando todas as sensações incômodas advindas desse
processo, pois não deseja enfrentar um possível fracasso.
Essa foi a primeira fase que passei quando comecei a
aprender a dançar. Quando fui a um bar me apaixonei pelo ritmo que todos
estavam dançando, o zouk, minha atitude depois, foi logo procurar uma escola de
dança. A única vaga que tinha era numa turma avançada, não pensei duas vezes,
aceitei.
Nas primeiras aulas, preocupada somente com meus
pés, não sabia o que fazer com o resto do meu corpo. Estava perdida e além do
mais, sentia-me desconfortável ao lado de tantas pessoas que já sabiam dançar.
Num segundo momento me senti um pouco mais segura, mas ao mesmo tempo recebia
muitas informações que não pude assimilar imediatamente. Fiquei desesperada!
No terceiro estágio já conseguia arriscar uns
passos mais difíceis, essa recompensa foi fundamental para que eu me esforçasse
mais. Percebendo o quanto já tinha evoluído, tomei consciência de que podia ir
além. Àquela altura já não havia mais possibilidades de abandonar a dança, pois
resgatei a certeza de que estava indo ao meu próprio encontro.
Recebemos estímulos negativos e positivos, quando o
nível de dificuldade está muito alto tendemos a nos desanimar, mas quando
recebemos uma recompensa, nosso cérebro é motivado a querer mais a sensação desse
prazer. Era isso que me levava a aprender mais rapidamente e
estimulada, mas para isso é necessário paciência consigo mesmo. Não ajuda
em nada cobranças excessivas, pois todo aprendizado leva um determinado tempo para ser assimilado integralmente.
Dar o primeiro passo nos impulsiona a dar o segundo
e assim por diante. Quando conseguimos rodopiar, certos de que não esbarraremos
em nossos medos, nos libertamos da condição de aceitar só as habilidades que
dominamos e criamos coragem a nos lançar em outras atividades
desafiadoras.

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